As especulações mais arriscadas de Blech e Doliner, contudo, acontecem em relação às passagens bíblicas: elas fariam uma defesa veemente dos judeus, na época considerados cidadãos de segunda classe, especialmente por serem acusados pela morte de Jesus Cristo. Ao retratar a luta de Davi contra o gigante Golias, Michelangelo teria mostrado o combate dos guerreiros numa composição que reproduzia uma importante letra do alfabeto hebraico - o caractere conhecido como "guimel", que significa força. O mesmo acontece na cena em que a viúva Judite carrega a cabeça de Holofernes, chefe do Exército helênico, invasor da Palestina. Pode se identificar a forma do caractere "het", princípio feminino do cuidado e da proteção. Outra letra hebraica, "bet" (primeira letra do "Torá", os cinco livros sagrados de Moisés, cuja acepção mais importante é "casa de Deus"), aparece na posição das mãos do profeta Jonas. Segundo os estudiosos americanos, o conhecimento que Michelangelo tinha da cultura judaica viria do contato que ele teve com sábios como Marsilio Ficino e Pico della Mirandola, do círculo do mecenas Lorenzo de' Médici, que recebera o artista aos 13 anos em seu palácio em Florença. Eles eram especialistas na cultura hebraica e teriam passado para o garoto os fundamentos do "Torá", da "Cabala", do "Talmude" e do "Midrash", as quatro formas de explicação dos textos bíblicos. A prova mais cabal da simpatia de Michelangelo por esse povo desgarrado seria a representação de Aminadab, homem de "devoção sincera", com um círculo amarelo na manga esquerda de sua túnica. Trata-se do distintivo de vergonha que os judeus eram obrigados a usar para serem distinguidos dos "bons cristãos" e que mais tarde foi adotado pelos nazistas sob a forma da estrela de Davi.www.istoe.com.br/
ANIMAIS CONSTRUTORES CASTOR
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